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Uso saudável de tecnologias e mídias nas creches, berçários e escolas

Sexta, 21 Junho 2019

Esta matéria traz conhecimentos sobre o uso correto da tecnologia em prol de um desenvolvimento neuropsicomotor satisfatório na infância e adolescência.

As evidências de pesquisas científicas sugerem que os dispositivos tecnológicos de telas e as mídias oferecem tanto benefícios quanto riscos para a saúde das crianças e adolescentes, tornando-se necessário o planejamento por parte de cada setor que cuida da criança, bem como a responsabilidade e disciplina em cumprir as orientações propostas. Diante da relevância da interdisciplinaridade e do tempo em que as crianças permanecem nas escolas, entende-se que o papel do educador nas escolas é fundamental para a formação de um ser humano saudável.

Os nativos da Era Digital têm direito à utilização e desfrute dos recursos tecnológicos para sua aprendizagem e auxílio ao seu desenvolvimento, mas as famílias e as instituições precisam se adequar no sentido de diminuir os riscos do mau uso dessas ferramentas. Entende-se como riscos os efeitos negativos para a saúde nas áreas do sono, da atenção, do aprendizado, do sistema hormonal (com risco de obesidade), da regulação do humor (com risco de depressão e ansiedade), do sistema osteoarticular, da audição, da visão, além do risco de exposição a grupos de comportamentos de risco e a contatos desconhecidos, com possibilidade de acesso a comportamentos de autoagressão, tentativas de suicídio e crimes de pedofilia e pornografia.

Estudo de 2015 mostra que 96,6% das crianças de 0 a 4 anos de idade, na sala de espera de uma clínica pediátrica de baixa renda, usavam dispositivos móveis e 75% delas possuíam seu próprio dispositivo. Este estudo também mostrou que quase todas as crianças de dois anos usavam dispositivos móveis diariamente e que 92,2% das que tinham um ano de idade também já havia usado um dispositivo móvel mais de uma vez. O mesmo estudo mostrou a falta de limites e falta de supervisão por parte dos pais e cuidadores ao deixarem crianças pequenas acessarem livremente os conteúdos de canais de youtube, de jogos on line e de provedores de filmes e séries de televisão, o que as coloca em extremo risco.

A Sociedade Brasileira de Pediatria, em conformidade com a Academia Americana de Pediatria (AAP), recomenda o tempo adequado para cada idade, de acordo com a maturação e desenvolvimento cerebral. As publicações científicas demonstram evidências que, quanto mais nova a criança, menor a capacidade do cérebro de discernir a ficção da realidade. Além disso, durante os primeiros anos de vida a formação da arquitetura cerebral é acelerada e servirá de suporte para todo o aprendizado futuro.

Estudo publicado em 2013 relata que crianças de 6 meses a 3 anos, cujos cuidadores usavam livros com hábito frequente de leitura dirigida e linguagem gestual, exibiram mais conhecimento sobre os significados dos símbolos linguísticos e obtiveram melhores resultados na avaliação da linguagem e das habilidades sociais, comparadas com outro grupo que passava o mesmo tempo de leitura do grupo acima, mas em aplicativos infantis de estímulo à linguagem e em programas e vídeos educativos na TV e smartphones. Esse estudo mostra que a interação cuidador-criança e as brincadeiras livres não podem e não ser amplamente substituídas pela tecnologia do século XXI. Esta interação entre a crianças e os adultos e entre as próprias crianças é fundamental para o desenvolvimento e a socialização.

Os estudos mostram a associação entre excesso de exposição a telas na primeira infância e atraso no desenvolvimento cognitivo, na linguagem, atrasos sociais e descontrole emocional, além de comportamentos agressivos, alterações, sociais e de sono.

A recomendação de exposição a mídias para crianças menores de dois anos é tempo zero, pois as evidências das pesquisas mostram que as interações sociais com os cuidadores são muito mais eficazes e estimulantes para o desenvolvimento da linguagem, da inteligência, da interação social e das habilidades motoras, além de proporcionar momentos de aprendizagem global, capacidade de resolução de problemas e habilidade de controle emocional, tornando a criança um adulto mais saudável e resiliente. Entre a idade de 2 anos completos e 5 anos a recomendação é de 1 hora por dia ao todo, ou seja, somando-se o período diário que a criança permanece na TV, celular, tablets e videogames. Acima dessa idade é recomendável o tempo até 2 horas. O acesso deve ser monitorado e permitido apenas ao que é liberado para cada idade, respeitando-se a classificação indicativa, além de evitar conteúdos de violência, sexual, de comportamentos inadequados.

A SBP recomenda que as escolas e famílias possam atuar em conjunto com as equipes de saúde no sentido de:

  • Monitorar rigorosamente o tempo de exposição à tela em casa e na escola, de forma que a soma não ultrapasse o limite recomendado.
  • Programar os dispositivos para acesso apenas a conteúdo de alta qualidade com eficácia de aprendizagem demonstrada, discutido em equipe no planejamento pedagógico.
  • Envolvimento ativo dos pais, cuidadores e professores, tanto na leitura digital quanto na leitura de livros, que melhoram a aprendizagem das crianças pela experiência.
  • Orientação aos familiares sobre a relevância de regras domésticas claramente estabelecidas e cumpridas e os limites para as crianças Incentivo de atividades físicas diárias e contato com a natureza.
  • Promoção de aprendizagem com brincadeiras no ambiente das creches e escolas.
  • Discutir e aplicar plano de trabalho individualizado na prevenção do Estresse Tóxico na Infância.

O pediatra é o médico especialista na saúde da criança, por isso, ter um acompanhamento profissional qualificado faz toda a diferença no desenvolvimento. O Hospital Vale do Araguaia tem em seu corpo clínico a pediatra Drª Paula Pezzini, CRM MT 6610 RQE 4363. Consultas: (66)3468-1619.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria/Hospital Vale do Araguaia